Biblioteca técnica
Pontos, técnicas e processos da malharia retilínea
Guia de Meia-malha, Canelado / Ribana, Interlock, Jacquard, Intársia, Tranças / Aran, Piquet, Inlay e Peça Pronta (WHOLEGARMENT).
Guia técnico · Revisado em 22 de outubro de 2026
A estrutura organiza as laçadas; a técnica de desenho define como criar relevos ou distribuir cores; o processo determina como a peça será produzida. Já a aplicação descreve o uso final. Separar essas escolhas ajuda a conversar sobre fio, galga, programação, acabamento e critérios de aprovação.
Mapa das estruturas e técnicas
| Nome | Classificação | Na amostra |
|---|---|---|
| Meia-malha | Estrutura básica | Bordas, enviesamento e cobertura |
| Canelado / Ribana | Estrutura básica | Abertura transversal e recuperação |
| Interlock | Estrutura dupla | Construção, espessura e medidas |
| Jacquard | Técnica de desenho | Avesso, consumo e definição das cores |
| Intársia | Técnica de desenho | Junção das áreas de cor e arremates |
| Tranças / Aran | Desenho com transferências | Cruzamentos e esforço sobre o fio |
| Piquet | Estrutura texturizada | Textura e deformação após acabamento |
| Inlay | Técnica de inserção de fio | Retenção e comportamento do fio inserido |
| Peça Pronta (WHOLEGARMENT) | Processo de produção | Programação, modelagem e regiões de união |
| Cabedais e malhas técnicas | Aplicações | Requisitos do uso e ensaios específicos |
1. Meia-malha
A frente apresenta colunas de laçadas com aspecto de pequenos “V”; o avesso tem outra aparência. A estrutura básica pode enrolar nas bordas. Blusas, corpos de cardigans e bases de tricô liso são exemplos de aplicação; “liso” não significa que a malha ficará necessariamente plana ou dimensionalmente estável.
Na seleção do fio: faça amostras com a cobertura desejada e compare as medidas relaxadas. Observe torção residual, regularidade e comportamento de bordas antes de escolher o acabamento. Consulte os fundamentos de laçadas em CottonWorks — Knit Basics.
2. Canelado / Ribana
Alterna colunas de frente e avesso. Indicações como 1×1, 2×1 e 2×2 descrevem a repetição das colunas. A geometria favorece a abertura transversal; o retorno depende também do fio e do acabamento. É usada em punhos, golas, barras e peças ajustadas.
Na amostra: registre a largura sem tensão, a abertura no uso e o retorno após repouso. Não confunda facilidade de alongar com recuperação. Para comparar um fio com elastano a outro sem elastano, mantenha documentadas a alimentação e a regulagem de ponto.
3. Interlock
Na forma básica, duas bases de Canelado / Ribana se entrelaçam, produzindo faces semelhantes e bordas que não tendem a enrolar. É mais estável que a base canelada equivalente, mas isso não elimina encolhimento ou deformação do artigo acabado. Nem toda estrutura dupla é interlock.
Na retilínea: peça a especificação da sequência de agulhas e confirme a execução no equipamento disponível. Uma referência de tecido circular não é uma receita direta para o tear retilíneo. Compare espessura, cobertura e medidas depois do acabamento. As descrições das três estruturas básicas são apoiadas em CottonWorks — Single & Double Knits.
4. Jacquard
Usa seleção de agulhas para formar desenhos, inclusive com diferentes cores. A construção do avesso pode incluir fios flutuantes ou outra estrutura de ligação. Portanto, dizer apenas “jacquard” não define espessura, consumo ou acabamento.
Na amostra: fotografe frente e avesso, anote a quantidade de cores e confira flutuações, cobertura e eventuais pontos de engate. Compare o consumo por peça, sem presumir que toda construção terá o mesmo rendimento.
5. Intársia
Trabalha áreas localizadas de cor com alimentações próprias, evitando levar cada cor por toda a largura. Pode reduzir flutuações extensas em relação a certos desenhos de jacquard; não garante, por si só, uma peça mais leve.
Na amostra: observe a união entre blocos, furos, pontas, arremates e tensão de cada cor. Confirme os guia-fios necessários com o programador. A distinção entre as duas técnicas pode ser consultada no glossário oficial da SHIMA SEIKI.
6. Tranças / Aran
O cruzamento visual é feito com grupos de malhas, por transferências e deslocamentos das fronturas. A operação não consiste em retorcer os fios entre si. “Aran” reúne uma família de desenhos e combinações; não é uma única receita de ponto.
Na amostra: observe os cruzamentos, a abertura de laçadas e a ocorrência de rupturas. Registre o tamanho e a frequência da trança, além da regulagem usada. Uma trança maior merece teste próprio, mesmo quando o restante da peça já foi aprovado. A documentação de programação da STOLL demonstra uma trança 3×3 com elementos de transferência.
7. Piquet
Na malharia, o nome pode identificar texturas obtidas pela combinação de laçadas e pontos retidos. Existem variações: solicite desenho ou amostra para saber qual construção está sendo discutida. Piquet não é sinônimo de inlay.
Na amostra: examine o relevo e as dimensões após relaxamento. Defina se o objetivo é visual, de toque ou funcional. O aspecto esportivo não comprova respirabilidade ou transporte de umidade. Veja a definição de piquet na enciclopédia CottonWorks; para uso na retilínea, confirme a programação da textura pretendida.
8. Inlay — fio inserido
Um fio é inserido na base e retido pela malha, sem precisar formar todas as suas laçadas. A técnica pode limitar o alongamento e criar construções com aparência próxima à de tecido plano. Exige verificar as funções do equipamento e a alimentação do fio inserido.
Na amostra: diferencie fio de base e fio inserido na ficha; registre os títulos de ambos e como o segundo é retido. Avalie deslocamento, pontas e estabilidade. A SHIMA SEIKI explica o inlay e os recursos de retenção de malhas. A presença de uma função em um modelo não confirma disponibilidade em toda máquina da marca.
9. Peça Pronta (WHOLEGARMENT)
É um processo de produção integral e tridimensional, não uma estrutura de ponto. Corpo e mangas podem ser tecidos e unidos na própria máquina; a peça pode combinar Meia-malha, Canelado / Ribana, desenhos e outros recursos compatíveis com o equipamento.
“Sem costura” não dispensa necessariamente todas as etapas posteriores: lavagem, acabamento e colocação de aviamentos dependem do projeto. Na aprovação: avalie a peça inteira, incluindo decote, cavas, uniões e modelagem; um retângulo de amostra não representa todas essas regiões. Use sempre o modelo e a configuração efetivos do tear.
A tecnologia e a marca pertencem à SHIMA SEIKI. A descrição deste guia não implica que a Luma opere máquinas dessa tecnologia. Consulte a apresentação oficial de Peça Pronta (WHOLEGARMENT).
10. Cabedais e malhas técnicas
São usos finais que podem combinar diferentes estruturas. Cabedais constituem a parte superior do calçado; a SHIMA SEIKI apresenta exemplos com inlay e outras técnicas. A escolha depende do projeto do calçado e de sua montagem.
A fabricante também demonstra coberturas térmicas e reforços de materiais compostos. Esses exemplos não transformam um fio de moda em material aprovado para proteção. Carbono, aramida e outros materiais especiais exigem avaliação própria; o artigo inteiro, e não apenas a fibra, deve atender ao uso previsto.
Para especificar: informe resistência requerida, abrasão, flexão, temperatura, contato químico, montagem e normas pertinentes ao produto. Em EPI, inclua requisitos de conformidade e ensaios do item acabado. A calculadora não emitirá aprovação automática de fios para essas aplicações.
Como relacionar estrutura, fio e galga
A conversão de Nm para Tex ou dtex é matemática. Já a adequação a uma galga depende de uma combinação de fatores. Não aplicamos um multiplicador universal para transformar um título de Meia-malha em outro supostamente ideal para tranças ou interlock.
- Descreva a construção: estrutura ou técnica principal, processo de produção e aplicação. Exemplo: Intársia, painéis para montagem, blusa de moda.
- Identifique o tear: marca, modelo, galga, configuração e recursos disponíveis.
- Identifique os fios: composição, título de cada fio acabado, quantidade de fios alimentados juntos, cores e função de cada um. No inlay, separe base e inserção.
- Defina a amostra: inclua a parte mais exigente do desenho, com transferências, mudanças de cor ou uniões relevantes.
- Documente o processo: lote, tensão, regulagem, consumo, rupturas e acabamento realizado.
- Compare o artigo pronto: meça dimensões, peso, aparência e comportamento no uso pretendido. Aprove antes de escalar.
Exemplo com os fios do catálogo
Uma unidade do fio acabado Minas Lã Stretch 2/29 Nm equivale teoricamente a 14,5 Nm resultantes, cerca de 69 Tex ou 690 dtex. Duas unidades alimentadas juntas somam aproximadamente 1.380 dtex. Essa conta não determina a galga adequada a uma trança. Da mesma forma, o título 1/34 Nm de Tocapele ou 2/50 Nm de Fashion Raion não aprova automaticamente qualquer desenho de galga fina.
Usar calculadora e preparar briefing ↗ Consultar os nove fios do catálogo ↗
Fontes e limites da validação
As fontes primárias estão vinculadas nas seções correspondentes: CottonWorks / Cotton Incorporated, SHIMA SEIKI e documentação técnica STOLL. As orientações de amostragem são um roteiro prático da Luma, não uma tabela de regulagens homologada pelos fabricantes. Algumas referências explicam construções em máquinas circulares; sua execução em retilínea precisa ser confirmada no equipamento real.
Este guia valida conceitos e corrige equivalências indevidas. Não qualifica automaticamente os fios do catálogo para Peça Pronta (WHOLEGARMENT), calçados, materiais compostos ou proteção individual.
Material educativo publicado pela Luma Fios Especiais. Recomendações gerais não substituem a ficha do fio nem a aprovação de amostras. Dúvidas e correções podem ser encaminhadas pela página de contato.